Em qualquer organização profissional, onde coexistem grupos humanos, são evidenciadas as competências racionais, o conhecimento objetivo consciente, assim como as interações afetivas, os reflexos subjetivos e subliminares. Olhos mais cuidadosos podem identificar a intrincada teia de emoções humanas, comandando resoluções e traçando o destino das organizações.
As estratégias, os planejamentos, as ações baseadas em dados objetivos serão permeadas de incertezas e de imprevisibilidade.
A grande transformação de consciência, pela qual estamos passando, com ampla repercussão em todos os sistemas sociais, impõe às organizações a premente necessidade de rever posturas e atitudes cristalizadas, que colocam em risco a própria sobrevivência. Crises, revisões, reflexões, convivência com o caos revelam que as organizações buscam propostas reorientadoras, sintonizadas com a atualidade.
A Escola da Natureza, enquanto Centro de Referência em Atividades de Educação Ambiental, precisa estar sintonizada com as demandas atuais, trazendo propostas claras para a sociedade no sentido de reformular pensamentos, hábitos, valores e atitudes a partir dos princípios da Ecopedagogia e da Educação Humanitária. Nesse sentido, trabalhando também em prol da formação de educadores ambientais, contribuímos para fomentar uma rede interinstitucional de projetos e de parcerias, numa perspectiva mais ética e ecologicamente equilibrada.
Na visão da Ecologia Profunda, o foco primordial é a interconexão, a interrelação entre todos os sistemas vivos. Cada ação, cada gesto, cada decisão repercute no todo, tem conseqüências em outros segmentos, insere-se numa visão globalizante.
A Ecopedagogia, base organizadora da Escola da Natureza, toma a vida como valor primordial, como força de criação e de perpetuação do mundo, como foco para onde converge toda nossa ação.
A partir destas concepções, buscamos um modelo sistêmico de organização, flexível e adaptável às mudanças contínuas, capaz de lidar com a diversidade e as contradições rumo à possibilidade de crescimento.
Assim, a Escola da Natureza participa do grande desafio: a revitalização de uma equipe transdisciplinar que, acima de tudo, deseja resgatar a ética e a criatividade.
Isso não se constrói apenas com atualização teórica, palestras ou estratégias de autoformação. É uma construção fundada na liberdade individual e conjugada coletivamente. É na autoestima elevada, na qualificação profissional, na troca de parcerias e estímulos positivos que uma organização se torna criativa.
Contudo, temos que atuar juntos a uma estrutura organizacional ainda fragmentada e burocrática, aliando-se a ela, conceitos baseados em paradigmas revolucionários, como “pensamento complexo e ecossistêmico”, “ecologia profunda”, “sistemas auto-organizadores” e “conhecimento pelo movimento”, considerando todas as implicações e naturais conseqüências que disso advêm.
O diálogo, as vivências corporais, as coordenações coletivas, as reuniões semanais, os grupos de estudos, os grupos de eventos e a possibilidade de autoformação permanente, constituem-se preciosos instrumentos que utilizamos para facilitar os processos inerentes à formação de um sujeito ecológico, aquele capaz de se comprometer consigo mesmo, com o coletivo que o acolhe e com a sociedade que o espera, desejosa pela colheita. |